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FEDERAÇÃO DE FUTEBOL-FFP

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domingo, 6 de março de 2011

"COTA TRANSMISSÃO DE TV DO FUTEBOL NO BRASIL"


      Por Vinicius Paiva*

       Mas por que a Globo resiste em concorrer com o valor sugerido pela Record?
       A grande questão é que, atualmente, a Rede Globo desfruta de monopólio na exploração de todas as mídias que envolvem o futebol brasileiro: TV aberta, fechada, pay per view, internet e celular. Além disso, é detentora dos 10 principais estaduais do país: Rio, São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia, Ceará e Goiás. Por fim, a emissora dos Marinho ainda possui direitos exclusivos sobre o Campeonato Brasileiro de Futebol. Por todo o pacote, a Globo pagou cerca de R$ 600 milhões.
       Mas apesar de pagar um valor único pela cesta de produtos, cada um tem sua cotação própria. Pelo Brasileirão, por exemplo, a emissora paga cerca de R$ 250 milhões anuais. As maiores cotas são destinadas ao grupo composto por Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras e São Paulo: R$ 21 milhões cada. Já pelos estaduais, a Globo paga cerca de R$ 140 milhões, divididos da seguinte maneira (aproximadamente):
 Campeonato Paulista: R$ 67 milhões (R$ 9,5 milhões para os 4 grandes, R$ 1,8 milhão para os 16 restantes);
 Campeonato Carioca: R$ 35 milhões* (Cerca de 6 milhões para os 4 grandes);
 * Valores estimados, por não serem divulgados.
 Campeonato Gaúcho: R$ 13 milhões (Cerca de 4 milhões a Inter e Grêmio);
 Campeonato Mineiro: R$ 11 milhões (Cerca de R$ 4 milhões a Cruzeiro e Atlético, R$ 320 mil aos 10 clubes restantes);
 Campeonato Paranaense: R$ 5 milhões (R$ 700 mil aos 3 clubes da capital, R$ 240 mil ao restante);
 Campeonato Baiano: R$ 4 milhões (R$ 1 milhão a Vitória e Bahia);
 Campeonato Catarinense: R$ 1,5 milhão (Os 4 maiores clubes no patamar de R$ 220 mil);
 Campeonato Cearense: R$ 1,5 milhão (Cerca de R$ 500 mil a Ceará e Fortaleza);
 Campeonato Pernambucano: R$ 1,3 milhão (R$ 370 mil aos 3 clubes da capital);
 Campeonato Goiano: Desconhecido.
       Ou seja, a soma do valor pago pelo Campeonato Brasileiro e pelos Estaduais se aproxima dos R$ 400 milhões. O resto dos dispêndios se destina aos direitos de transmissão por pay per view, internet e celular – em especial este primeiro, que responde por cerca de R$ 150 milhões. Para financiar a empreitada, em 2011 a Globo vendeu 6 cotas de anunciantes, a R$ 134 milhões cada, totalizando um faturamento de R$ 804 milhões. Em suma: a Globo arrecada R$ 800 milhões e gasta R$ 600 (fora custos operacionais das transmissões), assim divididos: Brasileirão (R$ 250 milhões), Estaduais (R$ 140 milhões), pay per view (cerca de R$ 150 milhões) e internet + celular (restante).
       Por isso, quando a Record sinaliza com R$ 500 milhões apenas pelo Campeonato Brasileiro, faz aumentarem os custos em R$ 250 milhões – além de gerar um efeito inflacionário nas futuras negociações pelos direitos dos estaduais.
       E a conta não fecha.
      De fato, a Globo divulgou um estudo afirmando que o máximo que se disporia a pagar pelo Brasileirão seriam R$ 400 milhões. Acima disto, diz ela, inviabiliza-se o custeio exclusivo por receitas publicitárias. Problema que a Rede Record – amparada por seu braço religioso, a Igreja Universal – não enfrentaria. Deste modo, se os clubes escolherem veicular o Campeonato Brasileiro pela Rede Globo –pela maior penetração e visibilidade oferecidas pela mesma - podem imaginar uma valorização de suas receitas na ordem de 50%. Os R$ 21 milhões do Flamengo se tornariam pouco mais de R$ 31 milhões. Caso optem pela Record e seus R$ 500 milhões sinalizados, a valorização seria de 100% - R$ 42 milhões anuais nos cofres rubro-negros. Já no caso de algum concorrente surpreender oferecendo um valor ainda maior, o céu será o limite. Há rumores de que, amparada por um banco, a Rede TV daria um lance na casa dos R$ 700 milhões pelos direitos do campeonato.
       Alguém apostaria?
 *E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com
 Twitter: www.twitter.com/viniciusflanet (@viniciusflanet)"

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