DEVERIA TER SIDO, NUNCA FOI
É hora de criar a liga
Marcio Braga*
O aquecimento do mercado pelos direitos de televisão do Campeonato Brasileiro e o racha no Clube dos 13 representam uma grande oportunidade para o futebol brasileiro. Em 1977, ainda em meu primeiro mandato no Flamengo, a TVE captava as imagens e distribuía o sinal dos jogos de futebol sem que os clubes recebessem um tostão sequer. Foi preciso pedir à Justiça um interdito proibitório, no Fla X Flu de 15 de novembro, para que fosse reconhecido o direito de imagem dos clubes, e a Rede Globo encontrasse uma solução comercial para que o futebol brasileiro pudesse contar com mais essa fonte de receitas.
Dez anos depois, em 1987 nascia o Clube dos 13, com a missão de organizar a Copa União no lugar do Campeonato Brasileiro que a CBF havia descartado. A competição só foi possível porque a Globo garantiu sua viabilidade econômica aportando, na primeira hora, dinheiro equivalente a 50% de todo valor gerado pela competição, que foi um sucesso absoluto e até hoje sustenta recordes de público e arrecadação. O Clube dos 13 não nasceu para se limitar à discussão dos direitos de TV, pelo contrário, sua missão era se consolidar como alternativa complementar à organização do Campeonato Brasileiro, nos moldes das grandes ligas européias, algumas das quais posteriores ao próprio Clube dos 13, e nele inspiradas.
O aquecimento do mercado pelos direitos de televisão do Campeonato Brasileiro e o racha no Clube dos 13 representam uma grande oportunidade para o futebol brasileiro. Em 1977, ainda em meu primeiro mandato no Flamengo, a TVE captava as imagens e distribuía o sinal dos jogos de futebol sem que os clubes recebessem um tostão sequer. Foi preciso pedir à Justiça um interdito proibitório, no Fla X Flu de 15 de novembro, para que fosse reconhecido o direito de imagem dos clubes, e a Rede Globo encontrasse uma solução comercial para que o futebol brasileiro pudesse contar com mais essa fonte de receitas.
Dez anos depois, em 1987 nascia o Clube dos 13, com a missão de organizar a Copa União no lugar do Campeonato Brasileiro que a CBF havia descartado. A competição só foi possível porque a Globo garantiu sua viabilidade econômica aportando, na primeira hora, dinheiro equivalente a 50% de todo valor gerado pela competição, que foi um sucesso absoluto e até hoje sustenta recordes de público e arrecadação. O Clube dos 13 não nasceu para se limitar à discussão dos direitos de TV, pelo contrário, sua missão era se consolidar como alternativa complementar à organização do Campeonato Brasileiro, nos moldes das grandes ligas européias, algumas das quais posteriores ao próprio Clube dos 13, e nele inspiradas.
Os 13 clubes fundadores, que representavam 95% da torcida brasileira, hoje viraram 24, diluídos em meio a clubes de menor expressão e submetidos a um modelo de organização mais próximo de uma federação de clubes que de uma liga. O Clube dos 13 perdeu a capacidade de representar os interesses dos seus membros e reúne hoje mais diferenças que semelhanças, nivelando por baixo os grandes clubes e com a injustiça de tratar desiguais igualmente. Coragem e ousadia eram marcas do Clube dos 13 em seu nascedouro, mas sucessivas gestões subservientes a interesses de terceiros compromoteram a sua essência. Esse último episódio em que os clubes desautorizaram a negociação coletiva dos direitos de TV pelo Clube dos 13 é um desdobramento do último processo eleitoral, em que um movimento de oposição tentava retomar seus ideais originais com capacidade de articulação e diálogo com os mais diversos setores, em especial a FIFA, a CONMEBOL e a CBF, garantindo uma agenda positiva e proativa: a criação da liga, a limitação de reeleições, o diálogo permanente, o esforço em negociações e estudos de mercado capazes de potencializar produtos ainda pouco explorados como, por exemplo, as novas mídias, internet, telefonia celular, naming rights e toda segunda linha de patrocinadores.
Ainda pode haver espaço para o Clube dos 13 mas para salvá-lo é preciso mudanças estruturais profundas e as discussões não podem ficar restritas aos direitos de transmissão. A Copa do Mundo pode transformar o futebol brasileiro, tanto do ponto de vista estrutural, com 12 novos estádios, que precisam de competições atraentes e sólidas para serem sustentáveis, quando do ponto de vista da mão de obra extremamente qualificada para melhorar os níveis de gestão das nossas organizações esportivas.
O momento para mudanças nunca foi tão propício e, em meio a tantos desencontros, a bola fica com a CBF, entidade máxima do futebol brasileiro, que pode aproveitar este momento para criar a liga que o Clube dos 13 deveria ter sido, e nunca foi.
Marcio Braga
Foi Presidente do Flamengo
Fonte: O Globo (05/03/11)
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